Início Bíblica A verdadeira origem da Páscoa.

A verdadeira origem da Páscoa.

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Egipto, há 3.500 anos, um beduíno idoso e gago com um cajado nas mãos, disse ao homem mais poderoso do mundo, o Faraó, a célebre frase – “Assim diz o Senhor Deus: Deixa o meu povo ir para que possa celebrar uma festa em meu louvor, no deserto”. Este beduíno era Moisés, o povo era o povo Hebreu e a festa a Páscoa (Pessach). Sendo assim, a verdadeira Páscoa é a festa que comemora a libertação do povo de Israel da escravidão no Egipto. A Páscoa dura 8 dias e acontece no início da primavera em Israel, mas não se engane, a Páscoa é bem mais que uma simples festa de ex-escravos no deserto.

Quase todos nós conhecemos a história de Moisés e as 10 pragas do Egipto, porém, nem todos percebem que Deus possuía muitos outros propósitos que não apenas libertar o povo do Egipto. Deus construiu para Israel uma cultura que contém nas suas práticas verdadeiros mistérios por revelar. A Páscoa é um destes mistérios aos quais Deus fez ecoar sobre a história por milhares de anos. Para compreendermos melhor a Páscoa é importante percebermos que ela pertence a algo muito maior do que ser apenas uma comemoração.

A bíblia relata em Levítico 23 que Deus determinou que o povo de Israel passasse a comemorar sete festas (amoede em hebraico – significa festa/agenda). Cada uma das festas comemora um acontecimento importante para Israel. Contudo, também é uma profecia para o mundo, marcada na agenda de Deus, ou seja, cada uma das festas de Israel aponta para um grande evento que tem o poder de mudar todo o mundo, sendo que a Páscoa é a primeira destas festas.

As sete festas (amoedes) são: Páscoa, Pães Asmos, Primícias, Pentecostes, Trombetas, Dia da Expiação, e Tabernáculos. Cada uma destas festas é marcada por um acontecimento ao povo hebreu e por uma profecia de proporções épicas. Das 7 festas e suas respetivas profecias, 4 já se cumpriram no mês, dia e hora exatos. Ou seja, o relógio profético de Deus está rigorosamente preciso e as festas são os ponteiros que devemos observar.

Vamos observar a Páscoa:

A palavra hebraica para Páscoa é Pessach, (pronuncia: pêssarr), e significa passagem. Passagem da escravidão para a liberdade. Durante o processo de passagem dos hebreus da escravidão para a libertação, Deus ordenou que o povo tomasse algumas atitudes. Estas atitudes acabaram como um memorial contido nos ritos de Páscoa através de símbolos e práticas, dos quais vamos abordar brevemente:

O mais importante destes atos está descrito em Êxodo 12. Deus ordenou que todas as famílias sacrificassem um cordeiro sem mácula e colocassem o sangue deste sacrifício nos umbrais das portas, a saber nas laterais e no pórtico. O objetivo deste ato determinado por Deus era para que o anjo da morte, que iria passar por todo o Egipto e ceifar os primogénitos, não entrasse nas casas daqueles que possuíssem a marca do sangue do cordeiro. Este ato foi determinado para um mês, dia e hora exatos.

1.500 anos depois, a profecia da festa de Páscoa foi cumprida por Jesus. Em João 1:29 está escrito: “…Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”. Por todo o Novo Testamento a palavra afirma que Jesus é o Cordeiro de Deus, sem mácula, que foi sacrificado e que teve o seu sangue derramado sobre nós como símbolo inequívoco para que o anjo da morte não nos possa ceifar. Jesus foi crucificado no mês, dia e hora exatos, alinhados ao ritual da Páscoa.

Na cultura hebraica, o auge da Páscoa é celebrado com um jantar em família onde várias práticas e simbologias estão presentes. Cada uma delas, está intrinsecamente alinhada com ações proféticas que apontam para Jesus e o seu trabalho redentor.  Podemos destacar símbolos presentes neste jantar. Por exemplo os pães asmos, um memorial para lembrar o dia da saída do povo do Egipto, que se deu de forma muito apressada, não tendo o tempo suficiente para que o fermento levedasse. Também podemos destacar as ervas amargas, para que não seja esquecido quão difícil foi o tempo da escravidão. Do mesmo modo, a Páscoa possui muitos outros doces mistérios de Deus simbolizados.

Então, por que razão, nos dias de hoje, a Páscoa está relacionada com coelhos e ovos de chocolate?

A resposta a esta pergunta remonta ao século IV d.C. onde a Igreja Católica, com o objetivo de se afastar do judaísmo e dos seus ritos, acabou por sincretizar a Páscoa com o festival de primavera chamado Easter, praticado pelos povos Assírios, Babilónios e outros. Este festival era uma adoração a deusa Isthar, a deusa da fertilidade, e os seus símbolos de fertilidade eram o ovo e o coelho. Assim, a origem da Páscoa moderna, de fato (e é comprovado por historiadores) é pagã e em nada baseado na verdadeira Páscoa.

Nos dias de hoje, a Páscoa com coelhos e ovos de chocolate é apenas mais um motivo comercial sem conexões religiosas. Contudo, é importante de fato entender, observar e partilhar a verdadeira Páscoa. A Páscoa sem o coelho, mas com o Cordeiro Santo, sem ovos de chocolate, mas a com o precioso sangue que nos dá por herança a vida eterna em Cristo Jesus.