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Aceitação-rejeição parental e delinquência

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A delinquência é um fenómeno universal que o senso comum relaciona automaticamente com a proveniência de meios socialmente desfavorecidos, e, como já foi mostrado neste estudo, o fator social desempenha um papel importante na emergência deste fenómeno. No entanto, indivíduos provenientes de meios socialmente desfavorecidos não se tornam necessariamente delinquentes, enquanto que indivíduos provenientes de meios socialmente favorecidos se tornam delinquentes. Para responder a esta questão, pode ser referido um estudo que hipotetiza as práticas educativas, mais do que o ambiente social, como estando na origem da delinquência. Com efeito, apesar de não ser o único fator a desempenhar um papel nesta problemática, as práticas educativas e ambiente familiar representam fatores necessários para um desenvolvimento sadio, não só a nível psicológico, mas também a nível social. Assim, segundo este autor, a delinquência possui, na sua génese, fatores relacionados com a ausência de afetividade, negligência e, portanto, rejeição. Um ambiente familiar que proporcione aceitação e apoio funcionará, então, como fator protetor para a prevenção da delinquência juvenil. A apoiar estas conclusões, pode ser referido um estudo de Keijsers et al. (2010), em que é demonstrado que a abertura e a partilha de informação entre pais e filhos funciona como fator protetor para a delinquência, dado que, ao partilharem informação com os pais, os filhos estão a dar oportunidade aos mesmos para aconselharem e alertarem, o que pode evitar comportamentos nocivos para os adolescentes. Ora, a partilha de informação nasce de uma relação de confiança que, por sua vez, é resultado tanto da solicitação por parte dos pais como da perceção de aceitação por parte dos filhos.
A família tem um papel privilegiado na educação e socialização primária dos indivíduos. O facto de um adolescente estar inserido num ambiente familiar disfuncional, na maioria dos casos, é um grande passo para o seu desenvolvimento destrutivo, contrariamente à inserção do adolescente numa família funcional e capaz produzir uma perceção de aceitação, de forma a conduzir o mesmo a um percurso livre de comportamentos que marcarão a sua vida de forma extremamente negativa, como a delinquência.

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