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O Crente, a Igreja, e o Carnaval

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O meu alvo principal com este artigo é ajudar os meus irmãos cristãos a melhor lidarem com esta altura do ano, onde o alvo da festa para muitos é a “carne”, a carnalidade – o aspecto carnal do culto ao “deus da modernidade” – o culto do “eu”. Não pretendo com este artigo apresentar alguma censura em relação àquilo que diversas Igrejas fazem, mas talvez eu seja por vezes provocatório… O nosso pensamento precisa sempre de ser provocado, estimulado.
O nosso modelo em tudo é Jesus. A primeira pergunta que fazemos em relação a tudo é – “o que faria Jesus”?
Bem sabemos que Jesus esteve em festas muito mal frequentadas, mas é impossível perceber Jesus fazendo lá outra coisa que não fosse realizar o trabalho do Pai. Jesus estava sempre a realizar o trabalho do Pai.
Algumas pessoas e Igrejas escolhem dedicar esta altura do ano para realizar ou promover retiros espirituais. Isso representa uma opção “monástica” de “se retirar”, de cortar e romper e se afastar em relação ao mundo – o mosteiro separa-te do mundo. Sem dúvida que esta é, de facto, uma das opções possíveis, já que a Bíblia nos ensina, não a enfrentar as tentações, mas sim a fugir delas – Paulo disse: “Fugi da impureza” e “fugi da idolatria” (1 Coríntios 6:18; 10:14); quando José foi tentado, ele fugiu da esposa de Potifar (Génesis 39:12); Em 2 Pedro 1:4 o Apóstolo Pedro também disse: “Dessa maneira, Ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça.” Paulo, nesse mesmo sentido, escreveu a Timóteo, dizendo: “Foge também das paixões da mocidade, e segue a justiça, a fé, o amor, a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.” (2 Timóteo 2:22).
Deveremos abandonar o mundo a esta época para prosseguir um retiro espiritual, conforme o costume de muitas igrejas, a fim de não sermos participantes com eles (Efésios 5.7)?
Devemos, por outro lado, ficar aproveitar para evangelizar? Ou será que isso não vale a pena porque, especialmente neste período, o deus deste século lhes cegou o entendimento (II Coríntios 4.4)?
Jesus revelou-nos também a importância de distinguir, isto é, discernir, entre “estar no mundo”, e “ser do mundo” – disse Jesus: “Vós não sois do mundo” (João 15:19 b). Em João 17:15,16, disse Jesus, orando ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou.”
Mais uma vez repito, Jesus esteve em festas muito mal frequentadas, mas é impossível perceber Jesus fazendo lá outra coisa que não fosse realizar o trabalho do Pai. Jesus estava sempre a realizar o trabalho do Pai.
Existem hoje no Brasil comunidades cristãs que participam de desfiles de carnaval e realizam os chamados “Carnaval com Cristo”. Pretendem estar presentes, e desfilar marcando uma posição alternativa aos excessos – mostrar uma outra figura, uma outra via que o carnaval poderia ter e ser, promovendo os valores da família e de Cristo, e apresentando-se militantemente contra os excessos, a libertinagem sexual, as bebedeiras desenfreadas, as danças sensuais, a música lasciva, a nudez e o erotismo, a confusão e violência, e a rebeldia contra as autoridades civis e religiosas. Jesus ensinou-nos de facto a marcar uma posição alternativa – não apenas a sermos contra tudo, mas a sermos capazes de manifestar aquilo que é bom no homem, inclusive brincar, mas sem excessos.
Estaria Jesus presente no Carnaval? Desfilaria Jesus? É difícil imaginar Cristo a desfilar no Carnaval… Mas será que Jesus estaria de todo ausente? E como poderia, estando presente, marcar uma posição alternativa naquele mar de gente, sem se apresentar num lugar principal?
Como poderemos apresentar-nos como diferentes do mundo? Como poderemos evangelizar? Vestidos de foliões…? Somos palhaços evangelistas? Não me parece… Esta é a nossa preocupação – alcançar o mundo; sermos capazes de viver com gozo e alegria, festejar, brincar, mas marcarmos uma diferença, negarmos absolutamente os excessos e a carnalidade; estar presentes (no mundo), mas não participando daquilo que é carnal, marcando sim uma diferença, apresentando afinal uma alternativa.
Eu não vou para o carnaval. Não consigo imaginar-me a sair à rua disfarçado para o carnaval, nem tampouco sair à noite para o carnaval…
Afinal de contas, cera não precisa de tocar no fogo para derreter, só precisa de estar suficientemente perto… Cuidado com a condição de se pôr demasiado a jeito para cair em pecado… Quanto custa destruir a sua vida ou a sua casa e o seu casamento…?
É em relação a este tipo de festas, com as quais as primeiras comunidades cristãs em roma já se confrontavam, que o Apóstolo Paulo fala na Carta aos Romanos, capítulo 13 e versos 13 e 14: “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante aos seus desejos”.
No entanto, fui confrontado recentemente com o carnaval no infantário da minha filhinha de 3 anos.
Ela queria ir vestida de “Sky” da patrulha pata, ou então, de princesa, por exemplo. E eu sei que sempre que ela pode vestir um vestido para um casamento, onde ela pareça uma princesa, ela dança, ela brilha, ela faz pose, faz pinturas de rosto para ficar linda. Eu sei que esta poderia ser mais uma oportunidade de ela se ver como uma princesa e de acreditar que ela é uma princesa e alguém especial.
Já que o diabo colocou no calendário um “Dia das Bruxas” considero que não me faltará também aí a oportunidade de marcar uma posição firmemente contra, perante o infantário, e em favor da abstinência total em relação àquilo que é próprio das trevas.
Assim, pesando tudo isso, eu disse-lhe: “Filhinha, uma cadela tu não és, a Sky não… Mas, uma princesa, sim, tu és uma princesa; eu sei que tu me dizes às vezes que não acreditas que és, mas tu és mesmo uma princesa. Nós vamos comprar para ti um vestido de princesa, e vais assim mesmo para a escola, porque uma princesa é aquilo que tu és, e precisas de acreditar nisso e ver com os teus olhinhos. Mas um dia vais ter de acreditar nisso sem ver o vestido e as jóias, porque és uma filha de Deus, uma filha do Rei.”
Eu poderia ter simplesmente impedido que ela fosse ao infantário nesses dias, mas eu sei que ela se vai apresentar aos outros como uma princesa; sei que ela já aos 3 anos de idade vai reforçar a imagem de si-própria como uma princesa, perante si-mesma e perante os outros; sei que ela vai participar de uma brincadeira sem excessos. Sei no entanto também que isto é para ela um precedente, e algo perigoso, por isso estarei atento para no futuro explicar as minhas razões e também o que como pai, e como crente filho de Deus, eu quero ou não quero para ela, e que ela conheça que Deus é Santo, e que o carnaval é uma festa à carnalidade e à obscenidade. Oro, peço a Deus, que ela nunca queira outra imagem, nem queira os “valores” e as imagens e as propostas do Carnaval, quando for mais crescida.
Há realmente tradições muito estúpidas e incompreensíveis, como as touradas, por exemplo. Mas não seria bom transformar as touradas num espectáculo bonito, sem sangue, com palhaços e/ou ginastas – um espectáculo para a família? Será que a nossa vida de crentes tem de ser 100% séria, sem sermos capazes de nenhuma brincadeira?
Há Igrejas que procuram trazer para dentro da Igreja apenas aquilo que da brincadeira do carnaval não é excessivo nem carnal. Isso será uma outra forma de marcar uma diferença e oferecer uma alternativa a uma brincadeira. Mas, por favor, não lhe chamem “Espirival”… É preciso às vezes saber um bocadinho de latim… São muito diferentes no latim as palavras “Vale”, “Vallis” (ou “Valle”) e “Valles” – “Vale” significa “Adeus” (forma de despedida); “Vallis” e “Valle” significam em português “vale” (região de baixa altitude), enquanto “Valles” significa corrente de águas ou fluxo de águas. Assim, “Espirival” significaria “Adeus Espírito”, o que é no mínimo caricato para quem tenta trazer o carnaval para dentro da Igreja…

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