O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deslocou-se durante a madrugada do passado dia 10 de Maio à Base da Força Aérea de Andrews, perto de Washington, para receber pessoalmente os três missionários norte-americanos libertados pela Coreia do Norte. Uma decisão de Pyongyang que a Casa Branca encara como gesto de boa vontade na antecâmara da cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un.
Foi, nas palavras do Presidente dos Estados Unidos, uma “noite especial para estas ótimas pessoas”. Trump referia-se a Kim Hak-song, Tony Kim e Kim Dong-chul, o trio de missionários norte-americanos libertado pelo regime norte-coreano.
“Francamente, não pensávamos que isto pudesse acontecer antes do encontro” com Jong-un, declarou Trump, que foi depois questionado sobre a forma como encarou o gesto do regime de matriz estalinista.
O Presidente disse sentir “uma grande honra” por poder receber Hak-song, Kim e Dong-chul. Ao mesmo tempo, sublinhou que “a verdadeira honra” será a desnuclearização da Península Coreana. Adiante manifestaria a expectativa de poder, no futuro, pisar território norte-coreano e ver Kim Jong-un trazer o seu país “para o mundo real”.
A libertação dos três homens de Deus foi conseguida durante uma visita a Pyongyang do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, para acertar os pormenores da cimeira.
O próprio Kim Jong-un associou a amnistia concedida aos três missionários aos preparativos do encontro com o Presidente dos Estados Unidos, perspetivando a cimeira como “um excelente primeiro passo”, segundo a agência estatal KCNA.
Numa declaração partilhada, os três missionários libertados agradeceram a Deus mas também os esforços da Administração Trump e “do povo dos Estados Unidos”.
“Agradecemos a Deus e às nossas famílias e amigos que oraram por nós e pelo nosso regresso”, acrescentaram, no termo de diferentes períodos de detenção em campos de trabalho forçado por alegadas atividades contra o Estado.
Kim Hak-song fora detido em Maio de 2017 por suspeita de “atos hostis”. Descreveu-se sempre como um missionário cristão que tencionava instalar um projeto agrícola experimental na Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang.
Tony Kim, que também colaborou com a Universidade de Ciência e Tecnologia, foi detido em Abril de 2017 sob acusações de espionagem.
Por sua vez, Kim Dong-chul, um reverendo, foi detido em 2015 igualmente sob a acusação de atos de espionagem, tendo sido condenado a dez anos de trabalho forçado.
Em reação à amnistia concedida por Kim Jong-un, a Presidência da Coreia do Sul apontou o que considerou ser um “efeito positivo” nas conversações em preparação. Aproveitou ainda para pedir a libertação de seis sul-coreanos detidos no Norte.
“Para reforçar a reconciliação entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte e espalhar a paz na Península Coreana, desejamos um rápido repatriamento de detidos sul-coreanos”, clamou Yoon Young-chan, porta-voz da Casa Azul, residência oficial do Presidente.
Trump já sinalizou que as principais decisões, quanto à cimeira, estão tomadas, nomeadamente a data e o local. Falta o anúncio oficial. O Presidente terá já descartado a Zona Desmilitarizada que separa os dois países da Península Coreana e a opção mais sólida parece ser, nesta altura, Singapura.
Numa síntese do diálogo mantido com o regime, o secretário de Estado norte-americano deu conta de “conversações produtivas”.
“Estamos a planear um único dia, mas no caso de haver mais para discutir teremos oportunidade de alargar para um segundo dia”, adiantou Mike Pompeo.
Sobre a mesa estará a desnuclearização da Península, as sanções impostas ao regime norte-coreano e a presença militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, onde a superpotência mantém atualmente 30 mil efetivos.